4 de
agosto: São João Maria Vianey – Dia do Padre
Dom Pedro Cunha Cruz celebra aniversário de ordenação
sacerdotal na Catedral de Campanha
Na
noite de sexta-feira, dia 4 de agosto, dia em que a Igreja lembra a memória de
São João Maria Vianey, o cura D’Ars, a comunidade paroquial de Campanha, sé
diocesana, reuniu-se na Catedral Santo Antônio para celebrar o aniversário de
ordenação sacerdotal de D. Pedro Cunha Cruz, bispo diocesano, que presidiu a
missa. Concelebraram o pároco, Pe. Luzair Coelho de Abreu, o vigário paroquial
Pe. Edson Pereira de Oliveira, magnífico reitor do seminário filosófico N. Sra.
das Dores, e Pe. Ednaldo Barbosa, pároco da paróquia N. Sra. d’Ajuda de Três
Pontas. Também participaram os seminaristas do Seminário Propedêutico São Pio
X.
Dom
Pedro Cunha Cruz foi ordenado no dia 4 de agosto de 1990 na catedral
metropolitana do Rio de Janeiro. Na arquidiocese de São Sebastião do Rio de
Janeiro, trabalhou nas paróquias Cristo Operário e Santo Cura D’Ars, paróquia
São Francisco de Assis, Santa Tereza de Jesus e Santa Rita de Cássia. De 1993 a
1996 estudou Teologia Moral na Pontifícia Universidade Gregoriana e pós-graduação
em Filosofia pela Pontifícia Universidade Santa Cruz (ambas em Roma). Foi
diretor de estudantes no Seminário São José, professor de Filosofia na PUC/Rio
e diretor da Faculdade Eclesiástica de Filosofia João Paulo II. Foi ordenado bispo em 5 de fevereiro
de 2011.
Homenagens
No
final da celebração, o Conselho Pastoral Paroquial, representando os fiéis de
Campanha, prestou uma singela homenagem ao senhor bispo, agradecendo, sobretudo
pela sua vocação e missão entre nós. Representando o clero diocesano, Pe.
Ednaldo Barbosa, coordenador da pastoral presbiteral, também dirigiu algumas
palavras a D. Pedro. Após a bênção, dom Pedro recebeu os cumprimentos dos fiéis
presentes na nave da catedral.
Animação litúrgica
Cantou
a celebração o Coral Catedral, sempre presente nos momentos importantes da vida
paroquial. Para a ocasião, o coral preparou as mesmas canções que foram
executadas no dia da ordenação de dom Pedro, dando grande alegria ao bispo.
Homilia
Em
sua homilia, D. Pedro Cunha meditou com os fiéis presentes temas como vocação,
a vida e a missão de Cura D’Ars e partilhou com os fiéis a experiência pessoal
que teve na cidade onde S. João Maria Vianey exerceu seu ministério. E você
acompanha alguns fragmentos da homilia logo abaixo.
“Tive
a graça, no ano de 1990, em um dia de sábado, dia de São João Maria Vianey, ser
ordenado sacerdote. Nunca tinha ocorrido que um sacerdote, na arquidiocese do
Rio de Janeiro, tinha sido ordenado nesta data. Uma imagem um pouco negativa de
S. João Maria Vianey, um sacerdote muito simples, humilde, que foi trabalhar em
uma periferia muito simples da arquidiocese de Lyon, na França, no século XIX,
mas que transformou aquela cidadezinha em um centro de irradiação da graça de
Deus através de seu ministério, devido a duas coisas muito bem-feitas por ele:
a catequese e a confissão. As pessoas gostavam muito de ouvir sua catequese.
Talvez nem tivesse pessoas nessa cidadezinha de Ars que pudesse exercer essa
função de catequista na igreja. Era uma cidade que todos os sacerdotes
refutavam. ”
“Vejo
uma grande semelhança em meu ministério sacerdotal com o de S. João Maria
Vianey. Ele foi mandado para uma paróquia onde nenhum padre queria trabalhar.
Eu também, quando estava terminando a pós-graduação em Roma, fui mandado para
uma paróquia em que três sacerdotes da minha diocese não quiseram trabalhar. E
tive que evangelizar nesse bairro muito difícil do Rio de Janeiro [Santa
Tereza, famoso bairro da capital fluminense], um bairro boêmio, onde esse
cantor que morreu hoje, Luiz Melodia, muitas vezes frequentava restaurantes e
bares, pois tinha muitos amigos. Era um grande desafio! Um bairro turístico,
com muitos atrativos, as pessoas não queriam frequentar a igreja: estavam muito
mais atraídas pelos festejos, pelos encantos do bairro, pela boemia ... Mas não
eram atraídas pela igreja; a igreja não estava no interesse das pessoas. Talvez
não tivesse feito um trabalho pastoral na mesma dimensão de S. João Maria
Vianey, mas procurei dar o máximo de mim para que as pessoas pudessem voltar
para a igreja. Era uma igreja de porte médio, muitas vezes aos domingos,
celebrava missa para 40, 50 pessoas só. Depois de um progressivo trabalho de
visitação, catequese, pregação, atendimento espiritual, visita aos doentes, foi
mudando um pouco. Esses 5 anos que por ali passei, consegui mudar um pouco o perfil das pessoas que moravam naquele
bairro.”
“Hoje
é um dia devocional! São João Maria Vianey era magrinho, franzino... Tive uma
alegria inesperada. Quando estava com 5 anos de padre, um padre francês, muito
amigo, me convidou para visitá-lo em sua casa.
Disse que teria uma surpresa, melhor dizendo, um presente, para mim.
Questionei, mas o meu amigo não quis dizer o que era. Ele já tinha arrumado
tudo. Visitando, então, sua casa, na cidade de Ars. Ele já havia preparado
tudo! Passei meu aniversário de 5 anos de padre na cidade de Ars! E aí visitei
a casa de S. João Maria Vianey, ao lado da igreja; o púlpito do santo está lá
ainda, onde pregava e fazia sua catequese. Cura D’Ars não conseguia passar da
igreja para casa e vice-versa, pois a todos queriam tocá-lo; era um sacrifício
para ele se recolher em casa. Então o padre, meu amigo ,me preparou a surpresa.
Me disse: “Você vai celebrar hoje na igreja de S. João Maria Vianey com o
cálice que o santo usava na santa eucaristia!”
“Hoje
nós estamos celebrando, pela providência, o dia em Louvor ao Coração de Jesus!
Muitos padres estão celebrando em suas paróquias. E São João Maria Vianey disse
assim, sobre a relação do sacerdócio com esse dia devocional dedicado ao
Coração de Jesus, e, talvez seja esta a frase mais conhecida de vocês. Ele
fala: ‘O sacerdote é o amor no coração de Jesus’. Vocês já devem ter ouvido
muito essa frase! Como é que nós entendemos? Quando falamos AMOR, falamos do
sentimento que está no sentimento e na vida ou no coração da pessoa. AMOR.
Jesus foi humano, verdadeiramente homem e verdadeiramente Deus. Então se ele é
verdadeiramente homem, ele tem que amar, porque o homem não pode deixar de
amar! Não podemos deixar de entender a humanidade sem amor. Como é que Jesus
não amava? E aí ele amava as pessoas, mas o que está no centro do seu coração
que ama? Nós olhamos para o Coração de Jesus, chama de amor, irradia o amor
pela humanidade, pela conversão, pela salvação de todos. Aí no centro deste
coração está o sacerdote. Jesus é o sumo sacerdote! Essa missa que o Coral
Catedral está cantando se chama Cristo sumo e eterno sacerdote. No centro do
coração do sumo sacerdote está o nosso sacerdócio também.”
“Eu
gostaria, nesta noite, de celebrar o dia de nosso sacerdócio, um dia que
devemos ficar recolhidos em oração. O nosso silêncio orante é uma forma de
agradecimento a Deus por ter nos escolhido ao santo ministério sacerdotal. Mas,
ao mesmo tempo, é sempre um momento que refletimos e perguntamos a Deus porque
nós fomos escolhidos, porque Ele nos quis, porque nos elegeu. Nunca teremos
resposta! Mas sempre queremos meditar e buscar uma resposta para aquilo que não
tem resposta. Porque faz parte do desígnio de Deus e nós não podemos
compreender todo alcance deste desígnio de Deus e de sua vontade. Sempre quando
chega perto do aniversário de ordenação sacerdotal, nós começamos a ficar
refletindo sobre essas coisas: é um chamado de Deus. [...] O que é a vocação?
Falar da nossa vocação é falar do chamado de Deus a cada um de nós! Mesmo sendo
variadas, todas as vocações têm uma só origem: Deus, para ser verdadeiramente
uma vocação. Além de terem uma só fonte, que é Deus, os carismas e os dons,
devem sempre ser colocados, portanto, a serviço da Igreja e dos homens. Talvez
tivesse sido isso, a percepção do profeta: ele é chamado por Deus, recebe um
dom e deve colocar esse dom a serviço dos homens; isso fazia o profeta temer na
sua vocação. Uma vocação não existe senão no entrelaçar do chamado e resposta.
A oração aumenta, estreita, a nossa amizade com Deus. [...] Para nós, cristãos,
não nos falta a consciência de quem nos chama é Deus. Aí vem São João Maria
Vianey, e diz, em uma das frases não muito circuladas pela mídia: ‘O homem é um
pobre que para tudo necessita de Deus’. A pobreza do homem está em não
conseguir ser 100% autônomo. Ele vive sempre uma relação com Deus; e tem
consciência disso: sem Deus ele não é nada,
e que sendo Deus mesmo que o chamou ele tem que responder.”
São João Maria Vianey
São
João Maria Vianey é conhecido como o Cura D’Ars. Nasceu na cidade francesa de Dardilly,
no ano de 1786, e enfrentou o difícil período em que a França foi abalada pela
Revolução Napoleônica. Homem do campo, proveniente de uma família simples e bem
religiosa. S. João Maria se desertou do exército pois percebia desde cedo o
desejo se seguir a vocação sacerdotal. Ele tinha muita dificuldade em
acompanhar intelectualmente as exigências do estudo; foi alfabetizado somente
com 18 anos. João Maria Vianney, ajudado por um antigo e amigo vigário, conseguiu
tornar-se sacerdote e aceitou ser pároco na pequena aldeia “pagã”, chamada Ars,
onde o povo era dado aos cabarés, vícios, bebedeiras, bailes, trabalhos aos
domingos e blasfêmias. Com o Rosário nas mãos, joelhos dobrados diante do
Santíssimo, testemunho de vida, sede pela salvação de todos e enorme
disponibilidade para catequizar, o santo não só atende ao povo local como
também ao de fora no Sacramento da Reconciliação, chegando a ficar 18 horas
dentro de um Confessionário alimentando-se de batata e pão.




















































