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sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

Quarta-feira de cinzas na paróquia Santo Antônio




Quarta-feira de cinzas:
Dom Pedro Cunha Cruz preside missa solene na Catedral e abre oficialmente a Campanha da Fraternidade na diocese

Como já é tradição na vetusta cidade de Campanha, o bispo diocesano presidiu a missa solene de abertura da Quaresma e da Campanha da Fraternidade nesta Quarta-feira de Cinzas, dia 14, às 19h. A Catedral estava repleta de fieis que participaram da celebração e da imposição de cinzas. Concelebraram o magnífico reitor do seminário propedêutico S. Pio X e vigário paroquial, Wendel Rezende e o pároco e chanceler do bispado, Luzair Abreu.

A quaresma é o tempo de renovação espiritual, uma espécie de retiro pascal estruturado no trinômio oração, jejum e esmola. Já dizia são Pedro Crisólogo: “Três são, irmãos, as colunas que fazem com que a fé se mantenha firme, a devoção constante e a virtude permanente. Estas três colunas são: a oração, o jejum e a misericórdia. Porque a oração chama, o jejum intercede e a misericórdia recebe.”

Neste ano em que vivemos a leitura do evangelho de Marcos, a quaresma nos propõe uma reflexão mais cristológica, sobre a glorificação de Cristo pela cruz.

Participaram da celebração de ontem os seminaristas do curso de filosofia do Seminário N. Sra. Das Dores. Cantou a missa o Coral Catedral, sempre presente nos momentos marcantes da paróquia, que se esmerou na execução dos cantos propostos.

Homilia
Em sua homilia, Dom Pedro ressaltou para os fiéis presentes, a importância da vivência do tempo da quaresma, bem como o real significado da imposição de cinzas. Logo abaixo você confere alguns trechos da homilia episcopal:

O nosso coração se enche de alegria ao vermos em pleno século XXI, que é o século da intolerância religiosa, fiéis que expressam uma realidade mais profunda em seu coração que é a busca de Deus. Isso nos alegra porque nos faz perceber uma característica que é própria do ser humano, que quer se preencher de uma totalidade. É Deus mesmo que quer conceder uma graça especial a cada um de vocês! O fato de termos uma igreja cheia, não só aqui na catedral, mas, certamente, em muitas paróquias de nossa diocese, pelo Brasil e pelo mundo afora é um sinal vivo bíblico da sede do homem por Deus.

É claro que a imposição das cinzas é apenas um sinal que expressa o despojamento toda nossa abertura e toda a consciência de nossa limitação, de nosso pecado. E é muito bom que no dia de hoje, que foi um dia de recolhimento, de oração e jejum e também para alguns, se dedicaram à prática da caridade, que tenhamos fortemente a consciência do Pecado que muitas vezes nos toma para que assim nos sintamos necessitados da Graça de Deus. [...] As cinzas vão lembrar a nossa condição miserável, a nossa condição humana, a nossa condição de pó, de pobreza, de miséria. Temos que ter consciência de que somos tudo isso! Não podemos fugir dessa verdade! Quanto mais aumenta a nossa consciência sobre a nossa condição pecadora, mais a graça de Deus vai atuar e agir em cada um de nós. Isso é muito importante

A quaresma é o itinerário no qual recordamos a entrada de Jesus no deserto entramos com ele no deserto, mas é também o itinerário de revisão do nosso interior.  Tudo aquilo que não é bom em nós precisa virar cinzas, precisa ser excluído, eliminado para que, assim, possamos ter uma religião que de fato seja a religião querida pelo próprio Deus, por isso vamos fazer muitas vezes a experiência da Misericórdia.

Na primeira leitura, o profeta demonstra que não é necessário fazer nada de externo nesse período da Quaresma. [...] Como lembra o profeta Joel, nós até podemos fazer gestos e sinais externos mas tudo deve partir de nosso coração. Todo nosso gesto deve ser voltado para o Pai do céu, como recorda o evangelho de hoje.

São Paulo, nesta Segunda Carta aos Coríntios, nos lembra de que não é o tempo futuro o tempo de nós construirmos uma vida digna para o encontro do Senhor no seu reino. É este tempo agora! Por isso São Paulo usa o verbo no imperativo: reconciliai-vos com Deus! É agora o tempo favorável! Ou fazemos alguma coisa agora, com Jesus no deserto, para melhorar nosso relacionamento com Deus, conosco, com os irmãos, ou não teremos outro tempo. Muitas vezes ficamos esperando acontecer alguma coisa, que vai melhorar isso ou aquilo, mas a vida é um processo contínuo de transformação, de conversão. Cada tempo que Deus nos concede por meio da sua igreja temos que aproveitar muito bem.

No Evangelho de hoje, Jesus nos dá três práticas que devemos observar.  Ele não está relativizando se nós podemos fazer ou não fazer a prática da caridade, da oração e do jejum. Jesus está simplesmente nos ensinando como fazer, ou seja, não fazer como os fariseus, que fazem para os outros verem e recebem elogios dos homens. E o que sobra para Deus? Nada! Se você recebe a honra e a glória dos homens, Deus que deveria fazer isso, acaba não fazendo. Então essa é a religião da interioridade que Jesus vem estabelecer. Na realidade aquilo que nós construímos nesse itinerário penitencial da quaresma depende simplesmente da nossa oração silenciosa.  Eu até falava com os padres no seminário... uma das coisas que venho observando desde 2015 quando cheguei aqui na diocese: na terça-feira de carnaval, e é um fato que não se observa mais nas metrópoles, quando dá meia-noite, as pessoas começam a se recolher a silenciar e a fazer observância do dia de hoje, de quarta-feira de Cinzas.

Campanha da Fraternidade 2018

Tradicionalmente, a quarta-feira de cinzas também marca o início da Campanha da Fraternidade. A cada ano a CNBB escolhe um tema, geralmente ligado à prática social da religião, para que os fiéis vivenciem durante a quaresma. Esse ano o tema da CF é: Fraternidade e superação da violência. E o lema, sempre baseado em uma passagem bíblica: “Vós sois todos irmãos”, retirado do evangelho de Mateus 23,8.

Sobre a Campanha da Fraternidade, dom Pedro disse aos fieis: “Neste tempo [a quaresma], a igreja fala também muito fortemente na sociedade. Por isso temos a Campanha da Fraternidade. Segundo estudo da CNBB é quando a igreja católica é mais ouvida pela sociedade. [...] Eu gostaria de deixar uma mensagem para vocês sobre o lançamento do tema, que é muito pertinente, que mostra uma sensibilidade da Igreja Católica com relação a um problema social e como ela dá pistas para solucionar a questão da violência. Não é fácil! Não temos ainda uma solução fácil para solucionar a violência no Brasil. O que nos motiva no caminho da superação da violência é a prática da vida e dos ensinamentos de Jesus. A igreja sempre foi a favor da vida. Tudo aquilo que tenta atingir a essência da vida, a Igreja se posiciona contra. Portanto é Ele, o próprio Jesus, que nos recorda: vós sois todos irmãos [lema da Campanha deste ano]. Então precisamos todos abraçar essa proposta da igreja dizendo que a superação da violência é um desafio que atinge a todos. [...] A Campanha da Fraternidade é uma ferramenta pela qual a igreja levanta sua voz profética para anunciar ao mundo o que Deus deseja para nós. O que Deus deseja para nós é o anúncio que a igreja faz hoje, mas ao mesmo tempo, Deus deseja que denunciemos a violência.  [...] Jesus quer que nós, seus seguidores tenhamos um jeito novo de viver

Para o lançamento da Campanha da Fraternidade, o santo padre, o papa Francisco enviou uma mensagem ao povo brasileiro. “Peço a Deus que a Campanha da Fraternidade deste ano anime a todos para encontrar caminhos de superação da violência, convivendo mais como irmãos e irmãs em Cristo. Invoco a proteção de Nossa Senhora da Conceição Aparecida sobre o povo brasileiro, concedendo a Bênção Apostólica. Peço que todos rezem por mim”. (a íntegra da mensagem pontifícia você pode encontrar em www.vatican.va)



quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

Mensagem do Papa pelo Dia Mundial da Paz 2018


MENSAGEM DO SANTO PADRE
FRANCISCO
PARA A CELEBRAÇÃO DO
51º DIA MUNDIAL DA PAZ 
1° DE JANEIRO DE 2018



Migrantes e refugiados: homens e mulheres em busca de paz

1. Votos de paz
Paz a todas as pessoas e a todas as nações da terra! A paz, que os anjos anunciam aos pastores na noite de Natal,[1] é uma aspiração profunda de todas as pessoas e de todos os povos, sobretudo de quantos padecem mais duramente pela sua falta. Dentre estes, que trago presente nos meus pensamentos e na minha oração, quero recordar de novo os mais de 250 milhões de migrantes no mundo, dos quais 22 milhões e meio são refugiados. Estes últimos, como afirmou o meu amado predecessor Bento XVI, «são homens e mulheres, crianças, jovens e idosos que procuram um lugar onde viver em paz».[2] E, para o encontrar, muitos deles estão prontos a arriscar a vida numa viagem que se revela, em grande parte dos casos, longa e perigosa, a sujeitar-se a fadigas e sofrimentos, a enfrentar arames farpados e muros erguidos para os manter longe da meta.

Com espírito de misericórdia, abraçamos todos aqueles que fogem da guerra e da fome ou se veem constrangidos a deixar a própria terra por causa de discriminações, perseguições, pobreza e degradação ambiental.

Estamos cientes de que não basta abrir os nossos corações ao sofrimento dos outros. Há muito que fazer antes de os nossos irmãos e irmãs poderem voltar a viver em paz numa casa segura. Acolher o outro requer um compromisso concreto, uma corrente de apoios e beneficência, uma atenção vigilante e abrangente, a gestão responsável de novas situações complexas que às vezes se vêm juntar a outros problemas já existentes em grande número, bem como recursos que são sempre limitados. Praticando a virtude da prudência, os governantes saberão acolher, promover, proteger e integrar, estabelecendo medidas práticas, «nos limites consentidos pelo bem da própria comunidade retamente entendido, [para] lhes favorecer a integração»[3]. Os governantes têm uma responsabilidade precisa para com as próprias comunidades, devendo assegurar os seus justos direitos e desenvolvimento harmónico, para não serem como o construtor insensato que fez mal os cálculos e não conseguiu completar a torre que começara a construir.[4]

2. Porque há tantos refugiados e migrantes?
Na mensagem para idêntica ocorrência no Grande Jubileu pelos 2000 anos do anúncio de paz dos anjos em Belém, São João Paulo II incluiu o número crescente de refugiados entre os efeitos de «uma sequência infinda e horrenda de guerras, conflitos, genocídios, “limpezas étnicas”»[5] que caraterizaram o século XX. E até agora, infelizmente, o novo século não registou uma verdadeira viragem: os conflitos armados e as outras formas de violência organizada continuam a provocar deslocações de populações no interior das fronteiras nacionais e para além delas.
Todavia as pessoas migram também por outras razões, sendo a primeira delas «o desejo de uma vida melhor, unido muitas vezes ao intento de deixar para trás o “desespero” de um futuro impossível de construir».[6] As pessoas partem para se juntar à própria família, para encontrar oportunidades de trabalho ou de instrução: quem não pode gozar destes direitos, não vive em paz. Além disso, como sublinhei na Encíclica Laudato si’, «é trágico o aumento de migrantes em fuga da miséria agravada pela degradação ambiental».[7]

A maioria migra seguindo um percurso legal, mas há quem tome outros caminhos, sobretudo por causa do desespero, quando a pátria não lhes oferece segurança nem oportunidades, e todas as vias legais parecem impraticáveis, bloqueadas ou demasiado lentas.

Em muitos países de destino, generalizou-se largamente uma retórica que enfatiza os riscos para a segurança nacional ou o peso do acolhimento dos recém-chegados, desprezando assim a dignidade humana que se deve reconhecer a todos, enquanto filhos e filhas de Deus. Quem fomenta o medo contra os migrantes, talvez com fins políticos, em vez de construir a paz, semeia violência, discriminação racial e xenofobia, que são fonte de grande preocupação para quantos têm a peito a tutela de todos os seres humanos.[8]

Todos os elementos à disposição da comunidade internacional indicam que as migrações globais continuarão a marcar o nosso futuro. Alguns consideram-nas uma ameaça. Eu, pelo contrário, convido-vos a vê-las com um olhar repleto de confiança, como oportunidade para construir um futuro de paz.

3. Com olhar contemplativo
A sabedoria da fé nutre este olhar, capaz de intuir que todos pertencemos «a uma só família, migrantes e populações locais que os recebem, e todos têm o mesmo direito de usufruir dos bens da terra, cujo destino é universal, como ensina a doutrina social da Igreja. Aqui encontram fundamento a solidariedade e a partilha».[9] Estas palavras propõem-nos a imagem da nova Jerusalém. O livro do profeta Isaías (cap. 60) e, em seguida, o Apocalipse (cap. 21) descrevem-na como uma cidade com as portas sempre abertas, para deixar entrar gente de todas as nações, que a admira e enche de riquezas. A paz é o soberano que a guia, e a justiça o princípio que governa a convivência dentro dela.

Precisamos de lançar, também sobre a cidade onde vivemos, este olhar contemplativo, «isto é, um olhar de fé que descubra Deus que habita nas suas casas, nas suas ruas, nas suas praças (...), promovendo a solidariedade, a fraternidade, o desejo de bem, de verdade, de justiça»,[10] por outras palavras, realizando a promessa da paz.

Detendo-se sobre os migrantes e os refugiados, este olhar saberá descobrir que eles não chegam de mãos vazias: trazem uma bagagem feita de coragem, capacidades, energias e aspirações, para além dos tesouros das suas culturas nativas, e deste modo enriquecem a vida das nações que os acolhem. Saberá vislumbrar também a criatividade, a tenacidade e o espírito de sacrifício de inúmeras pessoas, famílias e comunidades que, em todas as partes do mundo, abrem a porta e o coração a migrantes e refugiados, inclusive onde não abundam os recursos.

Este olhar contemplativo saberá, enfim, guiar o discernimento dos responsáveis governamentais, de modo a impelir as políticas de acolhimento até ao máximo dos «limites consentidos pelo bem da própria comunidade retamente entendido»,[11] isto é, tomando em consideração as exigências de todos os membros da única família humana e o bem de cada um deles.

Quem estiver animado por este olhar será capaz de reconhecer os rebentos de paz que já estão a despontar e cuidará do seu crescimento. Transformará assim em canteiros de paz as nossas cidades, frequentemente divididas e polarizadas por conflitos que se referem precisamente à presença de migrantes e refugiados.

4. Quatro pedras miliárias para a ação
Oferecer a requerentes de asilo, refugiados, migrantes e vítimas de tráfico humano uma possibilidade de encontrar aquela paz que andam à procura, exige uma estratégia que combine quatro ações: acolher, proteger, promover e integrar.[12]

«Acolher» faz apelo à exigência de ampliar as possibilidades de entrada legal, de não repelir refugiados e migrantes para lugares onde os aguardam perseguições e violências, e de equilibrar a preocupação pela segurança nacional com a tutela dos direitos humanos fundamentais. Recorda-nos a Sagrada Escritura: «Não vos esqueçais da hospitalidade, pois, graças a ela, alguns, sem o saberem, hospedaram anjos».[13]

«Proteger» lembra o dever de reconhecer e tutelar a dignidade inviolável daqueles que fogem dum perigo real em busca de asilo e segurança, de impedir a sua exploração. Penso de modo particular nas mulheres e nas crianças que se encontram em situações onde estão mais expostas aos riscos e aos abusos que chegam até ao ponto de as tornar escravas. Deus não discrimina: «O Senhor protege os que vivem em terra estranha e ampara o órfão e a viúva».[14]

«Promover» alude ao apoio para o desenvolvimento humano integral de migrantes e refugiados. Dentre os numerosos instrumentos que podem ajudar nesta tarefa, desejo sublinhar a importância de assegurar às crianças e aos jovens o acesso a todos os níveis de instrução: deste modo poderão não só cultivar e fazer frutificar as suas capacidades, mas estarão em melhores condições também para ir ao encontro dos outros, cultivando um espírito de diálogo e não de fechamento ou de conflito. A Bíblia ensina que Deus «ama o estrangeiro e dá-lhe pão e vestuário»; daí a exortação: 
«Amarás o estrangeiro, porque foste estrangeiro na terra do Egito».[15]

Por fim, «integrar» significa permitir que refugiados e migrantes participem plenamente na vida da sociedade que os acolhe, numa dinâmica de mútuo enriquecimento e fecunda colaboração na promoção do desenvolvimento humano integral das comunidades locais. «Portanto – como escreve São Paulo – já não sois estrangeiros nem imigrantes, mas sois concidadãos dos santos e membros da casa de Deus».[16]

5. Uma proposta para dois Pactos internacionais
Almejo do fundo do coração que seja este espírito a animar o processo que, no decurso de 2018, levará à definição e aprovação por parte das Nações Unidas de dois pactos globais: um para migrações seguras, ordenadas e regulares, outro referido aos refugiados. Enquanto acordos partilhados a nível global, estes pactos representarão um quadro de referência para propostas políticas e medidas práticas. Por isso, é importante que sejam inspirados por sentimentos de compaixão, clarividência e coragem, de modo a aproveitar todas as ocasiões para fazer avançar a construção da paz: só assim o necessário realismo da política internacional não se tornará uma capitulação ao cinismo e à globalização da indiferença.

De facto, o diálogo e a coordenação constituem uma necessidade e um dever próprio da comunidade internacional. Mais além das fronteiras nacionais, é possível também que países menos ricos possam acolher um número maior de refugiados ou acolhê-los melhor, se a cooperação internacional lhes disponibilizar os fundos necessários.

A Secção Migrantes e Refugiados do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral sugeriu 20 pontos de ação[17]como pistas concretas para a implementação dos supramencionados quatro verbos nas políticas públicas e também na conduta e ação das comunidades cristãs. Estas e outras contribuições pretendem expressar o interesse da Igreja Católica pelo processo que levará à adoção dos referidos pactos globais das Nações Unidas. Um tal interesse confirma uma vez mais a solicitude pastoral que nasceu com a Igreja e tem continuado em muitas das suas obras até aos nossos dias.

6. Em prol da nossa casa comum
Inspiram-nos as palavras de São João Paulo II: «Se o “sonho” de um mundo em paz é partilhado por tantas pessoas, se se valoriza o contributo dos migrantes e dos refugiados, a humanidade pode tornar-se sempre mais família de todos e a nossa terra uma real “casa comum”».[18] Ao longo da história, muitos acreditaram neste «sonho» e as suas realizações testemunham que não se trata duma utopia irrealizável.

Entre eles conta-se Santa Francisca Xavier Cabrini, cujo centenário do nascimento para o Céu ocorre em 2017. Hoje, dia 13 de novembro, muitas comunidades eclesiais celebram a sua memória. Esta pequena grande mulher, que consagrou a sua vida ao serviço dos migrantes tornando-se depois a sua Padroeira celeste, ensinou-nos como podemos acolher, proteger, promover e integrar estes nossos irmãos e irmãs. Pela sua intercessão, que o Senhor nos conceda a todos fazer a experiência de que «o fruto da justiça é semeado em paz por aqueles que praticam a paz».[19]

Vaticano, 13 de novembro – Memória de Santa Francisca Xavier Cabrini, Padroeira dos migrantes – de 2017.

Franciscus

[1] Cf. Evangelho de Lucas 2, 14.
[2] Alocução do Angelus (15/I/2012)
[3] João XXIII, Carta enc. Pacem in terris, 106.
[4] Cf. Evangelho de Lucas 14, 28-30.
[7] N.º 25.
[10] Francisco, Exort. ap. Evangelii gaudium, 71
[11] João XXIII, Carta enc. Pacem in terris, 106
[13] Carta aos Hebreus 13, 2.
[14] Salmo 146, 9.
[15] Livro do Deuteronómio 10, 18-19.
[16] Carta aos Efésios 2, 19.
[17] «20 Pontos de Ação Pastoral» e «20 Pontos de Ação para os Pactos Globais» (2017). Cf. também Documento ONU A/72/528.
[19] Carta de Tiago 3, 18.

Fonte: www.vatican.va

FIÉIS DE CAMPANHA SE REÚNEM PARA CELEBRAR PASSAGEM DO ANO




Na noite do dia 31 de dezembro, os fiéis da paróquia Santo Antônio, sé diocesana, estiveram reunidos na catedral para dar graças pelo ano que findava. Celebrando as vésperas da solenidade de Maria Mãe de Deus, os presentes participaram da celebração bizantina do Akáthistos, celebraram a missa e, ao final foi entoado solenemente o Te Deum e foi concedida a bênção do Santíssimo Sacramento. Todos os ofícios litúrgicos foram presididos pelo magnífico reitor do Seminário Diocesano Nossa Senhora das Dores e vigário paroquial, Pe. Edson Pereira de Oliveira.

Akáthistos

O Akáthistos é uma celebração do rito oriental da Igreja Católica. É um grande canto de Louvor à Maria. Nele são relatados os principais fatos da vida de Maria, desde à Anunciação até a sua elevação ao céu. A estrutura da celebração é formada por orações iniciais, o canto, e orações finais. A parte cantada da celebração é dividida em 24 estâncias, sendo as ímpares em forma de ladainha, alternando solo e coro e as pares, composta apenas de Aleluia. Do ponto de vista da composição, o Akáthistos se divide em duas partes: na primeira estão as estâncias de 1 a 12, que comentam a primeira revelação  histórica de Deus na carne humana, com os efeitos salvíficos (tem inspiração em Lc 1-2; Mt 1-2); a outra parte, estâncias 13 a 24, propõe a teologia da Igreja antiga, isto é, a profissão dos dogmas de fé relacionados a Maria






Akáthistos, em grego,  significa em grego, estar de pé. É uma referência à maneira como todos devem participar dessa celebração. Na paróquia de Campanha, a celebração também é feita em forma de lucernário, ou seja, uma celebração à luz de velas, para ressaltar o caráter de oração e vigília proposto para a ocasião.  O Akáthistos tem sua origem nos princípios do século V, pouco depois do concílio de Calcedônia (451), para ser uma síntese orante de tudo o que a Igreja dos primeiros séculos acreditou e exprimiu sobre Maria.



Apesar de sempre presente na igreja latina, foi o papa São João Paulo II o grande divulgador deste canto entre os católicos do ocidente. Durante as solenidades do grande jubileu do ano 2000, o pontífice escolheu esta celebração para ser realizada no dia da Imaculada Conceição. Desde então, quem participa da celebração do Akáthistos, atendendo as condições, recebe indulgência plenária.


A missa

O ano civil começa todo dia primeiro de janeiro. Já, para a Igreja Católica, o ano litúrgico, que é o ciclo que se celebra do nascimento à morte de Jesus, inicia-se com o primeiro domingo do advento (data móvel que pode ser no último domingo de novembro, ou primeiro domingo de dezembro). Na oitava do natal, ou seja, após transcorridos oito dias do nascimento de Jesus, a Igreja celebra Maria, sob o título de Mãe de Deus.



 
A solenidade celebrada no primeiro dia do ano é muito antiga. Tem sua origem com a proclamação do dogma da maternidade divina de Maria, pelo Concílio de Éfeso, em 431. Este título exprime a missão de Maria na história da salvação, que está na base do culto e da devoção do povo cristão, uma vez que Maria não recebeu o dom de Deus só para si, mas para leva-lo ao mundo.










Após a comunhão Pe. Edson dirigiu-se à entrada da Catedral onde está o sarcófago com os restos mortais do Servo de Deus D. Othon. No local foram rezadas as orações do sexto dia da novena pela beatificação de nosso bispo diocesano. No dia 4 de janeiro é celebrado o aniversário de morte do servo de Deus. 



No final da celebração, houve um grande momento de Ação de Graças. Foi feita a exposição do Santíssimo Sacramento com o canto do Te Deum (A vós Senhor louvamos), seguida da bênção solene do Santíssimo Sacramento.

Pe. Edson explicou à assembleia que, ao final do ano, quem entoar solenemente o Te Deum lucra indulgência plenária, atendida às condições: ter confessado, rezar Ave Maria e Pai Nosso nas intenções do papa, rezar o creio e comungar.

Animou a celebração e o Akáthistos, o Coral Catedral, sempre presente nos momentos marcantes da paróquia. O coral se esmerou, com ensaios prévios, para que os cantos fossem bem executados para a maior glória de Deus. O conjunto esteve presente na Catedral das 19h30min às 23h. O solo do Akáthistos ficou a cargo das salmistas Jucimaura Arcanjo e Dulcy Andrade.






Homilia (framentos)

Meus amados irmãos e irmãs a solenidade que estamos celebrando hoje está intimamente relacionada com a celebração do Natal a conclusão da sua oitava. Do dia 25 de dezembro ao dia 8 de janeiro celebramos oito dias de festa. E durante esses oito dias especiais celebramos O Natal do Senhor! E hoje nós celebramos o dia em que Nossa Senhora foi glorificada e deu ao menino o nome de Jesus, que significa ‘Deus Salva’.

Eu não sei qual foi o maior espanto dos pastores: se foi ver os anjos do céu cantando ‘Glória a Deus nas Alturas’ ou se foi ao chegar na manjedoura, encontrar tudo na mais profunda simplicidade como os anjos haviam anunciado. Ao olharem aquela simples criança, uma criança como todas as outras, enxergaram nela a grandeza de Deus. Portanto o que nós estamos contemplando hoje é o Deus escondido: é um Deus que se faz carne; é o Deus que se esconde sobre o véu da humildade.  
 
O menino, a carne do menino que é Deus, veio de Maria. Maria ofereceu a carne a Deus. Maria foi e é verdadeiramente mãe do Cristo, o filho de Deus. E é por isso que nós, e toda a igreja desde os primeiros séculos, podemos proclamar como nós rezamos na oração mais simples, talvez seja a primeira oração que nós aprendemos quando crianças: Santa Maria mãe de Deus, rogai por nós pecadores, agora e na hora de nossa morte. 

A primeira leitura da missa conta para nós como povo de Deus era abençoado. Lembra para nós que Deus pediu que Moisés e Arão abençoassem assim: ‘O Senhor te abençoe e te guarde, Ele faça bilhar sobre ti a sua face e se compadeça de ti! O Senhor volte para ti o seu rosto e te dê a paz!’
 
A segunda leitura é muito bonita porque ela fala: ‘Quando chegou o tempo previsto, Deus enviou o seu filho ao mundo, nascido de uma mulher, Maria, nascido sujeito à lei, a lei humana e a lei que o próprio Deus colocou para o seu filho’. Jesus cumpriu em tudo o projeto de Deus Jesus; foi em tudo obediente e é por isso que nós somos chamados a viver um ano na obediência de Cristo, no testemunho de Jesus, no amor.

Dia mundial da paz

Primeiro de janeiro é o dia mundial da paz. Foi proclamado pelo beato papa Paulo VI (Giovanni Battista Enrico Antonio Maria Montini) no ano de 1967. O papa não queria que o dia fosse lembrado apenas pelos católicos.
Para ele, a verdadeira celebração da paz só estaria completa se envolvesse todos os homens, não importando a religião. No documento que propõe a criação deste dia, Paulo VI, deseja que a data tenha “caráter sincero e forte de uma humanidade consciente e liberta dos seus tristes e fatais conflitos bélicos, que quer dar à história do mundo um devir mais feliz, ordenado e civil”.

Anualmente, o papa divulga uma mensagem para reflexão dos cristãos alusivo ao dia da Paz. Para este ano, o papa Francisco divulgou a mensagem: “Migrantes e refugiados: homens e mulheres em busca de paz”. Os interessados podem acessar a íntegra do texto no blog da paróquia ou no site do Vaticano: www.vatican.va.



O Dia do Senhor

A celebração deste primeiro de janeiro também foi marcada pelo início da publicação do semanário litúrgico, o folheto que é distribuído nas missas, Dia do Senhor. Este folheto é um desejo antigo dos padres e fieis da diocese de Campanha. E foi um dos encaminhamentos aprovados pela última Assembleia Diocesana de Pastoral, ocorrida há dois anos. O ritual da missa não pode ser alterado, mas um folheto litúrgico, produzido pela igreja local, pode atualizar comentários, propor maior diversidade de cantos litúrgicos, oração da assembleia que seja, de fato, preces dos fieis diocesanos. O Dia do Senhor será adotado na maioria das paróquias da Diocese de Campanha (algumas não adotam folheto ou produzem o próprio material) e a coordenação editorial é da Equipe Diocesana de Animação Litúrgica, que disponibiliza a versão digitalizada (pdf) no site www.liturgiadacampanha.com. (já estão disponíveis os folhetos até o mês de março/2018)



 Reportagem fotográfica completa na fan page do Facebook: https://www.facebook.com/paroquiasantoantonio.campanhamg 






















domingo, 6 de agosto de 2017

Aniversário de Ordenação de D. Pedro Cunha


4 de agosto: São João Maria Vianey – Dia do Padre
Dom Pedro Cunha Cruz celebra aniversário de ordenação sacerdotal na Catedral de Campanha

Na noite de sexta-feira, dia 4 de agosto, dia em que a Igreja lembra a memória de São João Maria Vianey, o cura D’Ars, a comunidade paroquial de Campanha, sé diocesana, reuniu-se na Catedral Santo Antônio para celebrar o aniversário de ordenação sacerdotal de D. Pedro Cunha Cruz, bispo diocesano, que presidiu a missa. Concelebraram o pároco, Pe. Luzair Coelho de Abreu, o vigário paroquial Pe. Edson Pereira de Oliveira, magnífico reitor do seminário filosófico N. Sra. das Dores, e Pe. Ednaldo Barbosa, pároco da paróquia N. Sra. d’Ajuda de Três Pontas. Também participaram os seminaristas do Seminário Propedêutico São Pio X.

Dom Pedro Cunha Cruz foi ordenado no dia 4 de agosto de 1990 na catedral metropolitana do Rio de Janeiro. Na arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, trabalhou nas paróquias Cristo Operário e Santo Cura D’Ars, paróquia São Francisco de Assis, Santa Tereza de Jesus e Santa Rita de Cássia. De 1993 a 1996 estudou Teologia Moral na Pontifícia Universidade Gregoriana e pós-graduação em Filosofia pela Pontifícia Universidade Santa Cruz (ambas em Roma). Foi diretor de estudantes no Seminário São José, professor de Filosofia na PUC/Rio e diretor da Faculdade Eclesiástica de Filosofia João  Paulo II. Foi ordenado bispo em 5 de fevereiro de 2011.




 Homenagens
No final da celebração, o Conselho Pastoral Paroquial, representando os fiéis de Campanha, prestou uma singela homenagem ao senhor bispo, agradecendo, sobretudo pela sua vocação e missão entre nós. Representando o clero diocesano, Pe. Ednaldo Barbosa, coordenador da pastoral presbiteral, também dirigiu algumas palavras a D. Pedro. Após a bênção, dom Pedro recebeu os cumprimentos dos fiéis presentes na nave da catedral.







Animação litúrgica
Cantou a celebração o Coral Catedral, sempre presente nos momentos importantes da vida paroquial. Para a ocasião, o coral preparou as mesmas canções que foram executadas no dia da ordenação de dom Pedro, dando grande alegria ao bispo.


Homilia
Em sua homilia, D. Pedro Cunha meditou com os fiéis presentes temas como vocação, a vida e a missão de Cura D’Ars e partilhou com os fiéis a experiência pessoal que teve na cidade onde S. João Maria Vianey exerceu seu ministério. E você acompanha alguns fragmentos da homilia logo abaixo.

“Tive a graça, no ano de 1990, em um dia de sábado, dia de São João Maria Vianey, ser ordenado sacerdote. Nunca tinha ocorrido que um sacerdote, na arquidiocese do Rio de Janeiro, tinha sido ordenado nesta data. Uma imagem um pouco negativa de S. João Maria Vianey, um sacerdote muito simples, humilde, que foi trabalhar em uma periferia muito simples da arquidiocese de Lyon, na França, no século XIX, mas que transformou aquela cidadezinha em um centro de irradiação da graça de Deus através de seu ministério, devido a duas coisas muito bem-feitas por ele: a catequese e a confissão. As pessoas gostavam muito de ouvir sua catequese. Talvez nem tivesse pessoas nessa cidadezinha de Ars que pudesse exercer essa função de catequista na igreja. Era uma cidade que todos os sacerdotes refutavam. ”


“Vejo uma grande semelhança em meu ministério sacerdotal com o de S. João Maria Vianey. Ele foi mandado para uma paróquia onde nenhum padre queria trabalhar. Eu também, quando estava terminando a pós-graduação em Roma, fui mandado para uma paróquia em que três sacerdotes da minha diocese não quiseram trabalhar. E tive que evangelizar nesse bairro muito difícil do Rio de Janeiro [Santa Tereza, famoso bairro da capital fluminense], um bairro boêmio, onde esse cantor que morreu hoje, Luiz Melodia, muitas vezes frequentava restaurantes e bares, pois tinha muitos amigos. Era um grande desafio! Um bairro turístico, com muitos atrativos, as pessoas não queriam frequentar a igreja: estavam muito mais atraídas pelos festejos, pelos encantos do bairro, pela boemia ... Mas não eram atraídas pela igreja; a igreja não estava no interesse das pessoas. Talvez não tivesse feito um trabalho pastoral na mesma dimensão de S. João Maria Vianey, mas procurei dar o máximo de mim para que as pessoas pudessem voltar para a igreja. Era uma igreja de porte médio, muitas vezes aos domingos, celebrava missa para 40, 50 pessoas só. Depois de um progressivo trabalho de visitação, catequese, pregação, atendimento espiritual, visita aos doentes, foi mudando um pouco. Esses 5 anos que por ali passei, consegui mudar um  pouco o perfil das pessoas que moravam naquele bairro.”

“Hoje é um dia devocional! São João Maria Vianey era magrinho, franzino... Tive uma alegria inesperada. Quando estava com 5 anos de padre, um padre francês, muito amigo, me convidou para visitá-lo em sua casa.  Disse que teria uma surpresa, melhor dizendo, um presente, para mim. Questionei, mas o meu amigo não quis dizer o que era. Ele já tinha arrumado tudo. Visitando, então, sua casa, na cidade de Ars. Ele já havia preparado tudo! Passei meu aniversário de 5 anos de padre na cidade de Ars! E aí visitei a casa de S. João Maria Vianey, ao lado da igreja; o púlpito do santo está lá ainda, onde pregava e fazia sua catequese. Cura D’Ars não conseguia passar da igreja para casa e vice-versa, pois a todos queriam tocá-lo; era um sacrifício para ele se recolher em casa. Então o padre, meu amigo ,me preparou a surpresa. Me disse: “Você vai celebrar hoje na igreja de S. João Maria Vianey com o cálice que o santo usava na santa eucaristia!”

“Hoje nós estamos celebrando, pela providência, o dia em Louvor ao Coração de Jesus! Muitos padres estão celebrando em suas paróquias. E São João Maria Vianey disse assim, sobre a relação do sacerdócio com esse dia devocional dedicado ao Coração de Jesus, e, talvez seja esta a frase mais conhecida de vocês. Ele fala: ‘O sacerdote é o amor no coração de Jesus’. Vocês já devem ter ouvido muito essa frase! Como é que nós entendemos? Quando falamos AMOR, falamos do sentimento que está no sentimento e na vida ou no coração da pessoa. AMOR. Jesus foi humano, verdadeiramente homem e verdadeiramente Deus. Então se ele é verdadeiramente homem, ele tem que amar, porque o homem não pode deixar de amar! Não podemos deixar de entender a humanidade sem amor. Como é que Jesus não amava? E aí ele amava as pessoas, mas o que está no centro do seu coração que ama? Nós olhamos para o Coração de Jesus, chama de amor, irradia o amor pela humanidade, pela conversão, pela salvação de todos. Aí no centro deste coração está o sacerdote. Jesus é o sumo sacerdote! Essa missa que o Coral Catedral está cantando se chama Cristo sumo e eterno sacerdote. No centro do coração do sumo sacerdote está o nosso sacerdócio também.”

“Eu gostaria, nesta noite, de celebrar o dia de nosso sacerdócio, um dia que devemos ficar recolhidos em oração. O nosso silêncio orante é uma forma de agradecimento a Deus por ter nos escolhido ao santo ministério sacerdotal. Mas, ao mesmo tempo, é sempre um momento que refletimos e perguntamos a Deus porque nós fomos escolhidos, porque Ele nos quis, porque nos elegeu. Nunca teremos resposta! Mas sempre queremos meditar e buscar uma resposta para aquilo que não tem resposta. Porque faz parte do desígnio de Deus e nós não podemos compreender todo alcance deste desígnio de Deus e de sua vontade. Sempre quando chega perto do aniversário de ordenação sacerdotal, nós começamos a ficar refletindo sobre essas coisas: é um chamado de Deus. [...] O que é a vocação? Falar da nossa vocação é falar do chamado de Deus a cada um de nós! Mesmo sendo variadas, todas as vocações têm uma só origem: Deus, para ser verdadeiramente uma vocação. Além de terem uma só fonte, que é Deus, os carismas e os dons, devem sempre ser colocados, portanto, a serviço da Igreja e dos homens. Talvez tivesse sido isso, a percepção do profeta: ele é chamado por Deus, recebe um dom e deve colocar esse dom a serviço dos homens; isso fazia o profeta temer na sua vocação. Uma vocação não existe senão no entrelaçar do chamado e resposta. A oração aumenta, estreita, a nossa amizade com Deus. [...] Para nós, cristãos, não nos falta a consciência de quem nos chama é Deus. Aí vem São João Maria Vianey, e diz, em uma das frases não muito circuladas pela mídia: ‘O homem é um pobre que para tudo necessita de Deus’. A pobreza do homem está em não conseguir ser 100% autônomo. Ele vive sempre uma relação com Deus; e tem consciência disso: sem Deus ele não é nada,  e que sendo Deus mesmo que o chamou ele tem que responder.”



São João Maria Vianey

São João Maria Vianey é conhecido como o Cura D’Ars. Nasceu na cidade francesa de Dardilly, no ano de 1786, e enfrentou o difícil período em que a França foi abalada pela Revolução Napoleônica. Homem do campo, proveniente de uma família simples e bem religiosa. S. João Maria se desertou do exército pois percebia desde cedo o desejo se seguir a vocação sacerdotal. Ele tinha muita dificuldade em acompanhar intelectualmente as exigências do estudo; foi alfabetizado somente com 18 anos. João Maria Vianney, ajudado por um antigo e amigo vigário, conseguiu tornar-se sacerdote e aceitou ser pároco na pequena aldeia “pagã”, chamada Ars, onde o povo era dado aos cabarés, vícios, bebedeiras, bailes, trabalhos aos domingos e blasfêmias. Com o Rosário nas mãos, joelhos dobrados diante do Santíssimo, testemunho de vida, sede pela salvação de todos e enorme disponibilidade para catequizar, o santo não só atende ao povo local como também ao de fora no Sacramento da Reconciliação, chegando a ficar 18 horas dentro de um Confessionário alimentando-se de batata e pão.