A
quarta-feira Santa é o dia em que os fiéis meditam a participação de Mistério
da Cruz. Em Campanha, a Semana Santa é precedida pela Setenário das Dores, onde
cada dia da Semana é meditada uma dor da virgem santíssima. E, na quarta-feira,
o pregador retoma esses momentos e faz como uma conclusão aos fieis.
A
devoção à Virgem das Dores foi difundida e popularizada pelos religiosos da Ordem
dos Servos de Maria (servitas) e da Congregação da Paixão de Cristo
(passionistas). Foi o papa Pio VII que introduziu na liturgia a celebração das
dores de Maria. A participação dolorosa da Mãe do Salvador em sua obra de
salvação (Lc 2, 33-35) é atestada na hora da cruz por João, que a recebeu por
Mãe (Jo 19, 25-27).
Tradicionalmente
são sete as Dores de Maria:
vA
profecia de Simeão sobre Jesus.
vA fuga
da Sagrada Família para o Egito.
vO
desaparecimento do Menino Jesus durante três dias.
vO
encontro de Maria e Jesus a caminho do Calvário. (O encontro de Maria com Jesus
a caminho do calvário não está explícito
nos evangelhos. Mas é uma tradição católica que foi incorporada em vários sacramentais,
inclusive na Via Sacara)
vMaria
observando o sofrimento e morte de Jesus na Cruz.
vMaria
recebe o corpo do filho tirado da Cruz.
vMaria
observa o corpo do filho a ser depositado no Santo Sepulcro.
Nossa
Senhora das Dores, também chamada de Nossa Senhora da Piedade, Nossa Senhora da
Soledade, Nossa Senhora das Angústias, Nossa Senhora da Agonia, Nossa Senhora
das Lágrimas, Nossa Senhora das Sete Dores, Nossa Senhora do Calvário, Nossa
Senhora do Monte Calvário, Mãe Soberana e Nossa Senhora do Pranto.
Missa, sermão e procissão das
Dores de Maria
O
Sermão das Dores de Maria foi precedido de missa solene. Logo após a missa, foi
realizado o Sermão ainda na igreja. O pregado da noite foi o pe. Sérgio Roberto
Monteiro, magnífico reitor do Seminário Teológico N. Sra. do Carmo (Pouso
Alegre) e pároco da paróquia Nossa Senhora Aparecida em Itanhandu.
Para
a procissão de Quarta-feira Santa o Coral Campanhense executa os Motetos de
Dores de autoria do compositor Manoel Dias de Oliveira. São três motetos que se
reptem ao longo do percurso
Cui comparabo te? Vel cui
assimilabo te, filia Jerusalem? Magna est velut mare contritio tua.
A quem te compararei? Ou a quem te assemelharei,
ó Filha de Jerusalém?
A quem te igualarei para te consolar, pois
é grande como o mar a tua mágoa.
Facta est quasi vidua domina
gentium; princeps provinciarum facta est sub tributo.
Tornou-se como uma viúva a senhora das
nações; a princesa das províncias ficou sujeita ao tributo!
O vos omnes qui transitis per
viam, attendite et videre si est dolor sicut dolor meus.
O vós todos que passeis pelo caminho, olhai
e vede se há dor semelhante à minha.
Celebração vespertina
Na
tarde de quarta-feira, foi celebrada a Missa dos Enfermos. Vários doentes de
nossa paróquia compareceram para pedir a saúde aos males físicos. Ao fim da
celebração, foi administrado o sacramento da Unção dos Enfermos
Reportagem fotográfica
completa na fan page da paróquia
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deixe de acompanhar as transmissões ao vivo pela fan page da paróquia e pelo
nosso canal do Youtube: PASCOM Paróquia Santo Antônio. Todas as transmissões ao
vivo realizadas em nossas mídias digitais tem o apoio de Brasil Like Telecom.
Na
terça-feira santa aconteceu em Campanha, o tradicional Sermão do Encontro: o
momento em que Maria encontra com Jesus, carregando a cruz, a caminho do
Calvário. É um dos momentos mais caros para os fieis campanhenses, que lotaram
a praça Dr. Jefferson de Oliveira para escutar o sermão.
O
Sermão é precedido de duas celebrações. Na igreja das Dores, é a missa com a
participação dos homens que acompanham o andor com o Senhor dos Passos
(celebração presidida por Pe. Wendel Rezende). Na Catedral, a missa é com as
mulheres, que acompanham o andor com a Virgem das Dores (celebração presidida
por Pe. Carlos Natali). Ambas as celebrações foram às 19h30min. Em seguida,
formaram-se duas procissões que percorreram as ruas do centro histórico de
Campanha e se encontraram na praça.
O
pregador da noite foi o Pe. Carlos Natali (Pe. Carlinhos), natural de Lambari
e, atualmente, pároco na paróquia Santa Rita de Cássia em Três Corações.
Abaixo, você confere o vídeo com a íntegra do sermão (você também pode
acessá-lo pelo link https://www.youtube.com/watch?v=FwnrxWU_5wI&feature=youtu.be
)
Logo
após o sermão, as procissões se fundem, formando um grande cortejo com destino
à Catedral. Ao longo da procissão, em cada passinho da Via Sacra, o Coral
Campanhense, acompanhado de orquestra de cordas, executa um moteto. Na
terça-feira, os motetos executados são os motetos de Passos.
Pater mi, si possibile est, transeat a me
calix: veruntamem non sicut ego volo, sed sicut tu.
Meu Pai, se for possível,
afasta de mim este cálice; contudo,
não se faça como eu quero, mas como tu queres.
Bajulans sibi crucem Jesus exivit in eum,
qui dicitur Calvariae locum.
Carregando a sua cruz, Jesus
foi para o lugar chamado Calvário.
Angariaverunt
Simonem Cyreneum ut tolleret crucem ejus.
Pegaram Simão Cirineu, para
que carregasse a sua cruz.
O vos omnes qui transitis per viam,
attendite et videre si est dolor sicut dolor meus.
A vós todos que passeis pelo
caminho, olhai e vede se há dor semelhante à minha.
Filiæ Jerusalem, nolite flere super me, sed
super vos et filios vestros.
Filhas de Jerusalém, não
choreis por mim, mas por vós mesmas e por vossos filhos.
Popule meus, quid fecit tibi? aut in quo
contristavi te?
Quia eduxi te de terra Aegypti, parasti
crucem Salvatori tuo, Responde mihi.
Povo meu, que te fiz eu? Ou
em que te contristei?
Porque tirei-te da terra do
Egito, preparaste uma cruz para teu Salvador. Responde-me.
Reportagem fotográfica
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Segunda-feira Santa: fiéis de Campanha/MG
meditam a prisão de Jesus
Na
paróquia Santo Antônio, sé diocesana de Campanha, já é uma antiga tradição a
meditação do Depósito do Senhor. Em outras cidades também, a segunda-feira é
chamada de Prisão do Senhor. As procissões que acontecem de segunda a
quarta-feira remontam antiquíssima tradição do Brasil Colônia, sobretudo nas
cidades história de Minas Gerais. São ritos que não são prescritos pela Igreja,
mas que foram incorporados na tradição religiosa de nosso povo.
Às
19h30min foi celebrada a missa paroquial com o andor que acompanha a procissão.
A celebração foi presidida pelo vigário paroquial e magnífico reitor do
Seminário Propedêutico São Pio X, Pe. Wendel de Oliveira Rezende, que foi o
pregador da noite. A parte musical ficou a cargo da musicista Marta Carneiro e
seu grupo vocal.
Após
a missa, teve início a Procissão do Depósito, saindo da Catedral com destino à
Igreja N. Sra. das Dores. Lá chegando, Pe. Wendel meditou, no adro da igreja, a
prisão do Senhor. Para esta celebração, o Coral Campanhense executa duas canções: O Miserere e o "Pater Mi"
Pater mi, si possibile est,
transeat a me calix: veruntamem non sicut ego volo, sed sicut tu.
Meu Pai, se for possível, afasta de mim
este cálice;
contudo, não se faça como eu quero, mas como tu queres.
Miserere mei Deus secundum
magnam misericordia tuam
Tem misericórdia de mim segundo a tua
grande compaixão
Transcrevemos logo abaixo, a íntegra do Sermão do Depósito, proferido por Pe. Wendel de Oliveira Rezende.
- “Jesus, Jesus de Nazaré, o teu semblante eu
quero ter! Tal qual és Tu, eu quero ser, Jesus, Jesus de Nazaré...” “No ano dezenove de
Tibério César, Imperador Romano de todo o mundo, monarca invencível na Olimpíada
cento e vinte; sob o regimento e governador da cidade de Jerusalém, Presidente
Gratíssimo, Pôncio Pilatos; Regente na baixa Galiléia, Herodes Antipas;
Pontífice sumo sacerdote, Caifás; magnos do Templo, Alis Almael, Robas Acasel,
Franchino Centauro; Cônsules romanos da cidade de Jerusalém, Quinto Cornélio
Sublime e Sixto Rusto; no mês de março e dia XXV do ano presente, EU, Pôncio
Pilatos, aqui presidente do Império Romano, dentro do palácio e arqui-residente,
julgo, condeno e sentencio à morte Jesus, chamado pela plebe Cristo Nazareno, e
Galileu de nação, homem sedicioso, contra a Lei Mosaica, contrário ao grande
Imperador Tibério César. Determino e ordeno por esta, que se lhe dê morte na
cruz, sendo pregado com cravos como todos os réus, porque congregando e
ajuntando homens, ricos e pobres, não tem cessado de promover tumultos por toda
a Galiléia, dizendo-se filho de Deus e Rei de Israel, ameaçando com a ruína de
Jerusalém e do Sacro Templo, negando os tributos a César, tendo ainda o
atrevimento de entrar com ramos e em triunfo, com grande parte da plebe, dentro
da cidade de Jerusalém. Que seja ligado e açoitado e que seja vestido de
púrpura e coroado de alguns espinhos, com a própria cruz nos ombros, para que
sirva de exemplo a todos os malfeitores, e que, juntamente com ele, sejam
conduzidos dois ladrões homicidas; saindo logo pela porta sagrada, hoje
Antoniana, e que se conduza Jesus ao Monte Público da Justiça chamado de
Calvário, onde, crucificado e morto, ficará seu corpo na cruz, como espetáculo
para todos os malfeitores e que sobre a cruz se ponha, em diversas línguas,
este título: IESUS NAZARENUS, REX IUDEÓRUM. Mando, também, que nenhuma pessoa
de qualquer estado ou condição se atreva, temerariamente, a impedir a justiça
por mim mandada, administrada e executada com todo rigor, segundo os decretos e
Leis Romanas, sob pena de rebelião contra o Imperador Romano. Eu, Pôncio
Pilatos, Prefeito da Província Romana da Judéia.”
Estimados irmãos e irmãs, eis a sentença condenatória dada por Pôncio
Pilatos a Nosso Senhor Jesus Cristo. Jesus está condenado a morrer na cruz. Não
há nada mais que nós possamos fazer.
Contudo, é importante para nós retornar ao momento de sua prisão
para podermos compreender os motivos de tamanha injustiça:
Passos apressados, rostos contraídos, uma preocupação intensa
permeava uma escolta de soldados que caminhava na noite densa.
Tinham ordens expressas para prender um homem. Este, por sua vez,
não usava armas nem pressionava as pessoas para que o seguissem, mas encantava
toda uma nação, abalava as convicções de seus líderes, destruía os preconceitos
sociais, propunha princípios de vida e discursava sobre as relações humanas de modo
nunca visto: este homem é Jesus, o Nazareno, chamado pelo povo de “o Cristo”!
O lugar onde a prisão injusta aconteceu é Jerusalém, uma das
maiores e mais importantes cidades do mundo antigo. Jerusalém era o berço de
uma cultura milenar. Seus habitantes viviam das glórias de um passado que não
voltava mais. Agora, porém, estavam sob o jugo do Império Romano, e nada os
animava.
Entretanto, apareceu ali alguém que mudou a rotina da cidade. Só se
falava a respeito de um homem que realizava feitos inimagináveis e possuía uma eloquência
espantosa. Um homem que se esforçava em vão para não ser assediado, pois quando
abria a boca incendiava os corações. As pessoas se acotovelavam para ouvi-lo. O carpinteiro de Nazaré sabia muito bem entalhar a madeira com as
mãos; com as palavras, entalhava a emoção humana e o coração das pessoas. Todos
se perguntavam: como podia alguém de mãos tão ásperas ser tão hábil em penetrar
os segredos do coração dos homens?
Mas, por outro lado, sua doçura e sua afabilidade não
sensibilizavam os líderes da sua sociedade, que tentaram várias vezes, e em vão,
assassiná-lo por apedrejamento. Procuraram fazê-lo cair em contradição,
tropeçar nas próprias palavras, mas sua inteligência deixava-os atônitos,
perplexos, cheios de cólera.
E sua fama aumentava a cada dia. Milhares de pessoas aprendiam a colocar
em prática a sua cartilha do amor, o seu Evangelho, a sua proposta de vida
eterna. Estava ficando cada vez mais difícil encontrar um motivo para prendê-lo.
Entretanto, um fato novo deu alento aos seus inimigos: um de seus seguidores
resolveu traí-lo.
O amanhã é um dia incerto para todos os mortais. Jesus, para
espanto de seus discípulos, afirmava que sabia tudo o que lhe aconteceria. Que
homem é esse capaz de penetrar no túnel do tempo e de antecipar os fatos? Ele
sabia que ia ser traído.
Então resolveu facilitar sua prisão, pois tinha forte convicção de
que havia chegado o momento de passar pelo mais dramático caos que um ser
humano pode enfrentar. Todos fogem do cárcere: Ele o procurou.
Afastando-se da multidão, o homem de Nazaré foi com seus discípulos
para um jardim nas cercanias de Jerusalém. Era uma noite fria e densa. Nesse
jardim, Jesus voltou o rosto para os pés e, gemendo de dor, orou profundamente
ao Pai. Preparou-se para suportar o insuportável. Sabia que ia ser mutilado por
seus inimigos e aguardou a escolta de soldados.
Jesus era um homem corajoso! Conseguia falar o que pensava mesmo
quando colocava sua vida em risco. Dizia que os fariseus limpavam o exterior do
corpo, mas não se importavam com o seu conteúdo.
Jesus era delicado com todas as pessoas, inclusive com seus
opositores, mas em algumas ocasiões criticou com contundência a hipocrisia
humana. Disse que os mestres da lei judaica seriam drasticamente julgados, pois
atavam pesados fardos para as pessoas carregarem, enquanto não se dispunham a
movê-los sequer com o dedo (cf. Mt 23, 4).
E quantas vezes não somos rígidos como os fariseus, exigindo das
pessoas o que elas não conseguem suportar e nós mesmos não conseguimos
realizar?
Exigimos calma dos outros, mas somos impacientes, irritadiços,
agressivos e grosseiros. Pedimos tolerância, mas somos implacáveis, excessivamente
críticos e incapazes de escutar, não aceitando a opinião dos outros sobre
qualquer assunto.
Queremos que todos sejam estritamente verdadeiros, mas simulamos
comportamentos, disfarçamos nossos sentimentos, fingimos emoções, falamos mal
dos outros até por mensagens virtuais, sem coragem de ser verdadeiros
pessoalmente.
Desejamos que os outros valorizem o interior, mas somos consumidos
pelas aparências externas. Temos de reconhecer que, às vezes, damos excessiva
atenção ao que falam e pensam de nós, mas não nos preocupamos com aquilo que
corrói nossa alma.
Podemos não prejudicar os outros com nosso farisaísmo, mas nos
autodestruímos quando não intervimos em nosso mundo interno, quando não somos
capazes de fazer uma faxina em sentimentos negativos como a inveja, o ciúme, o
ódio, o orgulho, a arrogância, a auto-piedade, a mágoa, o ressentimento.
E o resultado de tudo isso? Relacionamentos cada mais frágeis, mais
superficiais, e menos verdadeiros e duradouros. Jesus, ao contrário de nós, se
preocupava com todos os que sofriam.
Gastava tempo procurando aliviar as dores dessas pessoas e resgatar
sua dignidade, estimulando-os a não desistir da vida, não apenas da vida
terrena, mas principalmente da vida eterna. Desejava ardentemente que ninguém
se sentisse inferior diante do desprezo dos outros e das dificuldades sociais.
E nós, meus irmãos e irmãs? Somos capazes de ter essa mesma postura
de Jesus no mundo de hoje? Quanto ainda precisamos melhorar para atingir essa
meta?
A emoção de Jesus era imensurável, não podia ser medida, ao passo
que a dos fariseus era muito estreita. Jesus era o homem do infinito, os seus acusadores
eram pessoas obtusas, de mente pequena e coração de pedra.
Se alguém almejasse ser discípulo de N. Sr., tinha de alargar os
horizontes do seu pequeno mundo e incluir aí Deus e as pessoas. Tinha de se
deixar invadir por um amor que o impelisse a cuidar dos outros.
Com isso, nós compreendemos por que Jesus incomodou tanta gente, e
incomodou demais: abalou os alicerces de uma sociedade inteira, seus
preconceitos e suas crenças obsoletas.
Aí está a causa de sua condenação: mostrar o amor de Deus em gestos
concretos e falar a verdade!
Deus não enviou o seu Filho ao mundo para ser morto. Se assim Ele o
fizesse, seria o Deus da morte, e não o Deus da vida.
Deus enviou Jesus para “anunciar a boa-notícia aos pobres, para
curar as feridas da alma, para levar a liberdade aos prisioneiros [do pecado] e
para proclamar o ano da graça” (Is 61,1-2a): como já havia profetizado Isaías,
no Antigo Testamento.
Anunciando fervorosamente o amor de Deus por meio de palavras e
tornando-o concreto em seus gestos salvíficos, Jesus encontrou a morte na Cruz como
consequência de suas escolhas.
Mas o Pai é bondoso: nós prendemos Jesus e o condenamos à morte. E graças
à infinita bondade de Deus, Ele nos concede também a graça da Sua Ressurreição.
A Ressurreição nos veio único e exclusivamente por bondade de Deus, e não por
mérito nosso.
Meus irmãos e irmãs, Jesus está preso, condenado a morrer na Cruz,
destino dos piores malfeitores de sua época. Seu comportamento não agradou
àqueles que tinham sede de poder e cultuavam o individualismo.
E é bom recordar que a postura de Jesus chegou a incomodar até
alguns de seus discípulos, como Judas Iscariotes, que esperava um Messias capaz
de recuperar a glória do reinado de Davi, o grande rei de Israel; um Messias
que fosse entrar em Jerusalém com um exército poderoso e acabar com a dominação
imunda do Império Romano.
Diante da humildade de Jesus, Judas passou a odiá-lo, e o traiu por
30 moedas de prata. As maiores traições acontecem justamente por pessoas
próximas: irmãos, amigos, maridos e esposas. Donde menos se espera vem a
decepção, a “apunhalada” nas costas.
Alguns discípulos pediam que Jesus não se ocultasse, que se
manifestasse claramente ao mundo. Gostariam de ver a cúpula judaica e as
autoridades romanas se dobrarem diante dele. Desejavam ver o seu mestre no mais
alto patamar, acima de todos os homens, para que, quando ele estivesse lá, eles
pudessem desfrutar sua posição.
Eles queriam, na verdade, apenas trocar de lugar: passar de “oprimidos”
para “opressores”. Entretanto, o mestre os chocava com seu comportamento:
rejeitava qualquer tendência a confundir o Seu Reino de serviço com os impérios
corrompidos do mundo.
De fato, no Reino de Deus não existem opressores e oprimidos, não
existe essa dualidade maléfica que tanto contamina as relações entre as pessoas.
Esta é fruto da limitada compreensão humana, não é da vontade de Deus.
Apesar de ser o maior, o Filho de Deus, Jesus aceitou ter o mais
baixo status social. Embora fosse o mais livre dos seres humanos, almejava ser
o servidor humilde da humanidade. Os discípulos não compreendiam como alguém
tão grande se podia fazer tão pequeno.
Uma única vez Jesus aceitou estar acima dos seres humanos! Foi
quando, pendurado na Cruz, Ele se tornou um espetáculo de vergonha e dor. A
pessoa que poderia ter o mundo a seus pés preferiu prostrar-se aos pés do
mundo.
E assim como Pôncio Pilatos afirmou que sua condenação deveria
servir de exemplo a todos os malfeitores, que sua vida, sua humanidade, sua
bondade e sua doação sirvam de exemplo para nós que buscamos ser seus
discípulos no mundo de hoje.
Meus irmãos e irmãs, Jesus está preso, carregando sobre os seus ombros
os crimes dos seres humanos de todas as épocas e lugares, inclusive os nossos.
Que nós sejamos, pois, capazes de nos libertar de todo mal e de todo pecado que
nos prendem ao mundo e nos afastam de Deus.
Sigamos os passos de Jesus e de sua Mãe Bendita, a Virgem Maria,
Senhora das Dores, até o domingo glorioso de sua Ressurreição!
Olhando para a imagem de N. Sr., peçamos-lhe a graça de ter um
coração manso e humilde, semelhante ao dele!
- “Jesus, Jesus de Nazaré, o teu semblante eu
quero ter! Tal qual és Tu, eu quero ser, Jesus, Jesus de Nazaré...”
- NÓS VOS
ADORAMOS SENHOR JESUS CRISTO E VOS BENDIZEMOS!
- LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO!
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