31 de dezembro: Solenidade de Santa
Mãe de Deus
A
solenidade de Maria, Mãe de Deus, ocorre sempre na Oitava do Natal, ou seja,
oito dias após o Natal. Antigamente nesta data celebrava-se a festa da Circuncisão
do Senhor. Quando foi repensado o calendário romano da igreja, foi resgatada a solenidade
de Maria, Mãe de Deus. Este título traz em si um dogma que dependeu de três
Concílios, em 325 o Concílio de Nicéia, e em 381 o de Constantinopla. Estes
dois concílios trataram de responder a respeito desse mistério da
consubstancialidade de Deus uno e trino, Jesus Cristo verdadeiro Deus e
verdadeiro homem. No terceiro Concílio Ecumênico em 431, foi declarado Santa
Maria a Mãe de Deus. Muitos não compreendiam, até pessoas de igreja como
Nestório, patriarca de Constantinopla, ensinava de maneira errada que no
mistério de Cristo existiam duas pessoas: uma divina e uma humana; mas não é
isso que testemunha a Sagrada Escritura. Porque Jesus Cristo é verdadeiro Deus
em duas naturezas e não duas pessoas, uma natureza humana e outra divina; e a
Santíssima Virgem é Mãe de Deus.
O Akáthistos
Desde o ano 2000,
a paróquia Santo Antônio realiza no final do ano o Akáthistos, atendendo uma
solicitação de São João Paulo II. À época a Igreja celebrava o Ano Jubilar. Na
ocasião, o santo padre presidiu a celebração no dia 8 de dezembro, solenidade
da Imaculada Conceição. Entretanto, não foi a única vez que o papa realizou o
Akáthistos. Este hino de origem bizantina, ou seja, do rito oriental da Igreja
Católica, foi amplamente divulgado pelo papa nos anos de 1987/1988, quando foi
proclamado o Ano Mariano.
O Akáthistos é um
hino bem antigo. No século VI, no Oriente, começou a ser cantado o hino
Akáthistos - palavra grega que significa não sentado, de pé. Trata-se do mais
célebre hino mariano, a mais bela composição mariana do rito bizantino,
"um esplêndido hino" nas palavras de São João Paulo II. Akáthistos
canta o mistério da encarnação salvífica do Verbo de Deus, descreve a
maternidade de Maria e canta seu papel no mistério de Cristo e da Igreja. Não é
possível precisar o autor desse hino. Certamente trata-se de um grande poeta,
um eminente teólogo, um profundo contemplativo. O autor (desconhecido) teve o
mérito de traduzir, numa oração, a síntese da fé que a Igreja dos primeiros
séculos professava na Virgem Maria. Tudo indica que esse hino, cujo original é
em grego, tenha sido composto entre a segunda metade do século V e os primeiros
anos do século VI, em Constantinopla.
Vale ressaltar
que o hino é todo em forma de invocações litânias, ou seja, é uma grande
ladainha em louvor à Santa Mãe de Deus. Quem participa do Akáthistos, atendendo
às condições necessárias, lucra indulgência da Santa Igreja.
Na paróquia, o
Akáthistos, nos últimos anos, vem sendo realizado em forma de lucernário, ou
seja, uma celebração à luz de velas, uma vigília, antecedendo a solenidade da
Santa Mãe de Deus, no dia 31 de dezembro.
Foi presidido
pelo vigário paroquial e reitor do Seminário Propedêutico São Pio X, Pe. Edson
Pereira de Oliveira. A parte musical ficou a cargo do Coral Catedral.
A Homilia (fragmentos da homilia da
missa)
“Quando
chega o final do ano civil, o coração das pessoas muitas vezes é marcado por
uma avaliação daquilo que você no ano anterior. E neste ano que está findando,
nas últimas horas de 2016, com certeza você parou por algum momento para fazer
uma revisão do que fez, do que foi, do que não foi bom... E acima de tudo,
quando chega esta noite, muita gente coloca no coração bons propósitos para
melhorar, para crescer, para que 2017, esses próximos 365 dias, possam ser
diferentes. É interessante que muitas vezes as pessoas procuram usar certas
coisas neste dia para marcar esta realidade. E hoje, a própria liturgia traz
para nós algo que é muito maior e muito mais profundo. É interessante que, por
influência da mídia, muita gente gosta de usar branco no réveillon por causa da paz. Mas hoje vou mostrar para vocês que a
verdadeira paz já está entre nós. Só lembro que, para a Igreja, o Ano Litúrgico
começa no primeiro domingo do advento.”
“A
primeira leitura de hoje é nada mais, nada menos que uma bênção. A bênção
oferecida por Deus ao povo de Israel. Esta bênção que era dada a Aarão e a seus
filhos. É uma bênção que contempla três realidades necessárias na vida humana.
Deus começa dizendo: ‘Você vai abençoar o povo de Israel assim: ‘O senhor te
abençoe e te guarde’. Guardar lembra proteção. Uma das coisas que mais
precisamos e vamos ao encontro de Deus, é em busca de proteção. É em busca de
que nós sejamos livres das tentações do Maligno e livres também daqueles que
nos atentam e tentam nos atrapalhar na vivência da vontade de Deus e ao mesmo
tempo na busca da verdadeira felicidade. A segunda realidade que esta bênção
contempla diz: “Que Ele se compadeça de ti”. Compadecer lembra pra nós o grande rosto
misericordioso de Deus que nós vimos com alegria neste ano de 2016 que foi para
nós o Ano Jubilar da Misericórdia. Nós pedimos mais uma vez que o Senhor
compadeça de nós, que ele perdoe as nossas fraquezas e os nossos pecados. Que
mesmo sabendo que muitas intenções dessa noite são boas, mas com certeza, ao
longo desses 365 dias que virão, nós vamos cair, nós vamos errar, mas Deus,
como um Pai amoroso, vai estar sempre de braços abertos, pronto para nos
acolher. Mas não de qualquer modo: ele acolhe o coração que está, realmente,
arrependido. O perdão de Deus necessita do arrependimento. E a terceira
realidade dessa bênção ao povo de Israel é: ‘Que ele volte seu rosto para ti e
te dê a sua paz’. A liturgia de hoje vai falar muito a palavra paz. A palavra
paz vem da língua hebraica, e em hebraico se diz shalom. E shalhom não
significa paz apenas como sossego, ausência de guerra, ausência de confusões.
Shalom é muito mais que isso. Quando alguém chega diante do outro e diz “Shalom!”,
ele está dizendo: “tudo de melhor possível para que você seja realmente pleno!”
Toda a plenitude dos dons que gera a paz interior, que é muito maior que a paz
exterior. O Shalom é a presença plena da verdadeira felicidade entre nós!”
“No
salmo responsorial continuamos a clamar que o Senhor continua a nos abençoar. E
que a nossa vida seja realmente como uma terra que frutifica. De nada valerá a
nossa vida neste próximo ano se nós não dermos frutos, e bons frutos.”
“A
segunda leitura é como que a plenitude da bênção de Deus: “Quando chegou a
plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher”. Olha que coisa
mais interessante: Jesus é o filho de Deus enviado na plenitude dos tempos. É o
próprio Deus que vem plenificar o ser humano. A verdadeira paz, o verdadeiro
shalom, a verdadeira plenitude de todas as coisas boas que alguém pode desejar
ou querer para si, ou para as pessoas que ama, tem nome: Jesus Cristo, o Filho de Deus. Ele é a
verdadeira paz. Ele não só oferece a paz: a paz é ELE. E se você quer viver e
ter a verdadeira paz, você tem que ter Jesus em sua vida. Fora de Jesus não
existe plenitude, não existe paz, não existe felicidade.”
“Se
nós quiséssemos resumir o tempo do Natal e a celebração de hoje em uma frase,
eu diria para você o seguinte: O Natal é uma troca de presentes. Mas não esses presentinhos
que a gente troca no amigo oculto. É um presente muito maior. Deus nos dá o seu
Filho. E nós, através de Maria, damos ao filho, o Verbo de Deus, a segunda
pessoa da Trindade, a carne. Deus nos dá a sua pessoa, e Maria oferece em nosso
nome, a carne humana. E Jesus realmente é Deus e homem. E essa realidade é
muito forte e importante para nós! A criança que nós olhamos no colo de Maria,
no presépio de Belém, é humana! Mas não é só humana: ela é divina também!”
“A
segunda leitura diz, de maneira bonita que nós podemos chamar Deus de “Abbá”,
que significa papai, pai, meu pai. Porque realmente nós o somos! E o somos em
Cristo. Somos filhos do Pai do céu, porque em Cristo nós fomos resgatados e no
batismo nós nascemos de novo como filhos e filhos e filhas de Deus. E sendo
filhos e filhas de Deus, nós somos então, como diz a última frase da segunda
leitura, herdeiros do grande prêmio que Deus tem para a humanidade: a vida
eterna.”
“Ele
veio para salvar o seu povo dos seus pecados. Ele vai carregar sobre si as nossas
culpas e nossas misérias para quê? Para mostrar o quanto Deus é misericordioso!
Eu sempre gosto de entender a palavra misericórdia dividindo-a em duas: miséria
e coração. Misericórdia é tirar o seu coração o colocar ele na miséria da
pessoa. Quando Deus age com misericórdia, ele coloca o seu coração na nossa
miséria. E realmente o coração de Deus é o próprio Jesus. Ele veio, conheceu a
miséria humana, conheceu a fraqueza do ser humano e resistiu! E não se deixou
dominar pelos instintos do mal. Ele em tudo semelhante a nós, menos no pecado.
Sendo fiel até a morte, e morte de cruz, ele nos deu a salvação.”
“Que
hoje possamos elevar aos céus um agradecimento. Agradecimento imenso por Jesus.
Agradecimento imenso por Maria, que é mãe de Jesus que é Deus, e por isso, é
mãe de Deus e nossa mãe. Que tenhamos essa certeza: mais forte que qualquer
simpatia, que não existe, acima de toda e qualquer realidade, está a bênção de
Deus. A liturgia de hoje é a grande bênção para o ano que vamos iniciar, para a
vida nossa enquanto cristãos e seguidores de Jesus!”
Bênção do
Santíssimo
Seguindo
antiga tradição católica, ao final da celebração, dando graças ao ano que
passou, Pe. Edson concedeu aos fieis bênção solene do Santíssimo Sacramento,
com o canto do Te Deum. Precedendo a bênção foi rezada a Ladainha pela Paz.
Texto: Flávio Maia - PASCOM/Campanha
Reportagem fotográfica completa disponível na fan page da paróquia no Facebook: https://www.facebook.com/paroquiasantoantonio.campanhamg

































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