Quarta-feira de Cinzas e lançamento da
Campanha da Fraternidade 2017
Campanha da Fraternidade 2017
D. Pedro Cunha Cruz preside missa solene na catedral Santo
Antônio
Na
noite de quarta-feira de Cinzas, dia primeiro de março, D. Pedro Cunha Cruz
presidiu solene missa pontifical na Catedral Santo Antônio dando início à
Quaresma e à abertura da Campanha da Fraternidade 2017. A celebração foi concelebrada
pelo pároco e chanceler do bispado, Pe. Luzair Coelho de Abreu, pelo vigário e
reitor do seminário propedêutico São Pio X, Pe. Edson Pereira de Oliveira e
pelo diácono Wendel Rezende. Como é de costume nas celebrações solenes da
paróquia, a parte musical ficou a cargo do Coral Catedral.
Como
prevê o rito, após a homilia, D. Pedro abençoou as cinzas que serão utilizadas
no rito. Após a bênção o bispo com os clérigos presentes impuseram as cinzas
aos fiéis presentes.
Lembra-te que és pó, e ao pó
hás de voltar (Gn 3,19)
Encontramos
o uso litúrgico das cinzas nos tempos do Antigo Testamento. As cinzas
simbolizam o luto, a mortalidade e penitência. Por exemplo, no livro de Ester,
Mardoqueu pôs-se de saco e cinzas quando soube do decreto do Rei Assuero (ou
Xerxes, 485-464 a.C.) da Pérsia para matar todos os judeus no Império Persa
(Est 4,1). Profetizando o cativeiro babilônico de Jerusalém, Daniel (c. 550 a.C.)
escreveu: “Virei-me para o Senhor Deus, pedindo em oração fervorosa, com jejum,
pano de saco e cinza” (Dn 9,3). No século 5 a.C., após a pregação de conversão
e arrependimento de Jonas, a cidade de Nínive proclamou um jejum, e vestiram-se
de saco, e o rei se cobriram-se de saco e sentou-se nas cinzas (Jn 3,5-6). Em
todos os exemplos vemos uma simbologia comum através dos tempos. O próprio Jesus também fez referência a cinzas: referindo-se às cidades que se recusaram a arrepender-se do pecado, apesar de terem testemunhado os milagres e ouvirem as boas novas, nosso Senhor disse: Porque, se em Tiro e em Sidom se tivessem operado os milagres que em vós se fizeram, há muito que elas se teriam arrependido com pano de saco e cinza.” (Mt 11,21).
A
Igreja primitiva continuou a utilização de cinzas, pelas mesmas razões
simbólicas. Em seu livro, De Poenitentia,
Tertuliano (160-220) prescrevia que o penitente deve “viver sem alegria na
rugosidade de pano de saco e coberto de cinzas.”
Na
Idade Média, em torno do século 8, aqueles que estavam prestes a morrer eram
colocados no chão em cima do saco polvilhado com cinzas. O sacerdote abençoava
a pessoa que estava morrendo com água benta, dizendo: “Lembra-te que és pó e ao
pó tu hás de retornar.” Após a aspersão, o padre perguntava: “Estas feliz com o
saco e cinza em testemunho de tua penitência diante do Senhor no dia do juízo?”
Para o qual o moribundo respondia: “Estou feliz.” Vemos nesses exemplos o
simbolismo de luto, da mortalidade e da penitência.
Depois,
o uso de cinzas foi adaptado para marcar o início da Quaresma, o período de
preparação de 40 dias para a Páscoa. O ritual para o “Dia de Cinzas” é
encontrado nas primeiras edições do sacramentário gregoriano que remonta pelo
menos ao século oitavo. Por volta do ano 1000, um padre anglo-saxão chamado
Aelfric pregou: “Lemos nos livros, tanto na Lei do Antigo e do Novo, que os
homens que se arrependeram de seus pecados cobriam-se com cinzas e vestiam seus
corpos de saco. Agora vamos fazer este pequeno ato, no início da nossa Quaresma,
de espalhar cinzas sobre a cabeça para significar que devemos nos arrepender de
nossos pecados durante o jejum quaresmal”. Desde a Idade Média, pelo menos, a
Igreja usou as cinzas para marcar o início da temporada penitencial da Quaresma,
quando nos lembramos de nossa mortalidade e choramos por nossos pecados.
Na
rito atual, as cinzas utilizadas na quarta-feira são feitas com os ramos
utilizados no Domingo de Ramos do ano anterior. Após a homilia o sacerdote
abençoa as cinzas e impõe na fronte dos fiéis, dizendo: “Convertei-vos e crede
no Evangelho” ou “Lembra-te que és pó, e ao pó hás de voltar”
Mensagem do papa Francisco
para a Campanha da Fraternidade
Ao
final da celebração, D. Pedro, dirigindo-se à Assembleia, leu a mensagem
enviada pelo papa Francisco especialmente para o Brasil, por ocasião da
abertura da Campanha da Fraternidade. Você pode ler a íntegra da mensagem,
acessando o link do portal da CNBB:
Para
2017, a Campanha da Fraternidade propõe a reflexão sobre a ecologia. O tema é:
“Fraternidade: biomas brasileiros e defesa da vida”. E tem como lema: “Cultivar
e guardar a criação” (Gn 2,15). A CNBB optou por continuar a reflexão sobre o
cuidado com a casa comum, inspirada na encíclica do Papa Francisco “Laudato
Sí”. O Brasil, por ser um país continental possuiu 6 biomas: Amazonas, Cerrado,
Caatinga, Mata Atlântica, Pantanal e Pampa.
A
Campanha busca alertar para o cuidado da criação, de modo especial dos biomas
brasileiros. A iniciativa traz uma reflexão sobre o meio ambiente e sugere uma
visão global das expressões da vida e dos dons da criação. Com o objetivo de
ajudar as famílias, comunidades e pessoas de boa vontade a vivenciarem a
iniciativa, o texto-base da CF aponta uma série de atividades que ajudarão a
colocar em prática as propostas incentivadas pela Campanha. Além disso, ele
também propõe ações de caráter geral, que indicam a necessidade da conversão
pessoal e social, dos cristãos e não cristãos, para cultivar e cuidar da
criação
Ao
fazer o lançamento da Campanha da Fraternidade, D. Pedro comentou com os fiéis
que, “a Igreja quer falar para fora. Ela está sinalizando para o mundo com a
abertura desse tempo da Quaresma e o lançamento da Campanha da Fraternidade, que
também ela tem uma mensagem para todos os homens de boa vontade. Não somente
para os cristãos das Igrejas irmanadas que se empenham nesse propósito: sensibilizar
toda humanidade para a defesa e proteção não somente dos nossos biomas, mas da
vida humana, animal e vegetal. Nós temos que defender aquilo que é de Deus, que
foi dada a cada um de nós! Na Quaresma nós temos uma dimensão subjetiva,
individual, e temos uma dimensão comunitária e social. ”
Homilia de D. Pedro (fragmentos)
Eu
não poderia deixar de expressar meu sentimento de alegria nesta noite, ao
iniciarmos este tempo liturgicamente forte, porque o dia de hoje pede que nós
vivamos, como todo o tempo da quaresma, um certo sentimento comedido e
totalmente voltado para Deus. Mas, enquanto esperávamos a leitura das intenções
que os fiéis assinalaram no curso desses dias, para serem apresentadas nesta
celebração, conversava com os sacerdotes que, mesmo não sendo hoje um dia de
preceito, pois não se sustenta o preceito liturgicamente, há uma participação
expressiva dos fiéis. E aí está, também, o sinal de minha alegria por ver minha
a nossa Catedral da diocese de Campanha com uma frequência expressiva dos
fiéis: independente do fato de ser ou não preceito, é a própria força do tempo
que nos atrai para este momento celebrativo.
Quando
nós falamos do tempo, que hoje está iniciando para nós, e que não existe para
Deus, pois é alguma coisa que Deus nos concede porque sabe que nós precisamos,
Deus sabe do que nós necessitamos. Deus fala através do mistério que é
celebrado, que é tornado presente, através dos sacramentos da Igreja,
sacramentos estes que nascem do próprio mistério redentor de Cristo Jesus. E,
como vocês sabem muito bem, no Antigo Testamento, está bem descrito nos livros
sapienciais, há um tempo para tudo. Nós tivemos um tempo de festejo e alegria,
que foi o tempo do Carnaval. Festa que encontra uma raiz tipicamente cristã,
justamente pela força dos exercícios quaresmais que os cristãos, na igreja
primitiva se entregavam, mais especificamente a partir do quarto século. E
também toda Igreja rezava por aqueles que estavam se preparando, pelo
itinerário catecumental para recepção do Batismo e da Crisma, dentro da Páscoa
do Senhor Jesus. A Páscoa é a festa maior, como vocês bem sabem, não só do
calendário litúrgico, mas ela ocupa um espaço central na nossa vida, na nossa
espiritualidade.
Esse
tempo que nós temos, a Liturgia vai nos enriquecendo. Primeiro porque ela sabe
a dificuldade de nós vivermos esse tempo proporcionado por Deus a nós. Na
verdade é o tempo de Deus que nós vamos viver na fraqueza, na fragilidade do
nosso humano, da nossa finitude, da nossa limitação. É uma coisa muito
interessante de se observar que nós temos o tema da própria misericórdia. É ela
que nos leva à autêntica conversão. E nós seremos sustentados por aquilo que
não é do homem durante esses 40 dias, mas por aquilo que é de Deus, vem de Deus
ao encontro do homem.
É
exatamente o imediatismo desse tempo, dessa salvação, não podemos deixar
escapar a graça que Deus nos proporciona através de sua Igreja. E eu sei que
vocês estão aqui presentes, não somente para sair com a cruz de cinzas nas
frontes de vocês , mas proque, pela força da tradição cristã, presente na
cultura ocidental, sobretudo, todos são sensibilizados por este tempo.
Muitos se tocam de diversas maneiras, pelo
fato de silenciarem em oração, pelo fato de fazerem jejum, pelo fato de fazerem
abstinência, ou pelo fato de você recordar que na quarta-feira de cinzas a
Igreja propõe um novo caminho, um novo itinerário espiritual onde nós estamos
sempre recomeçando. A vida é sempre um recomeçar. E quando nós falamos da vida,
nós falamos de Deus, que é fonte e origem da vida. E é isso mesmo! A cada ano
vem uma mensagem, a cada ano é uma renovação, portanto, da nossa existência.
Porque nós somos cíclicos, somos humanos, somos finitos, somos limitados.
Participar da alegria do Senhor, o que temos que fazer? Eis a grande interrogação! Uma coisa é certa: não entendam e não vivam a religião do aparado externo, da pura apresentação humana. Portanto, ela é uma íntima comunhão entre nós e Deus, que olha o mais íntimo do nosso íntimo. Por isso, o profeta Joel, em uma das leituras mais conhecidas na Quarta-feira de Cinzas, nos propõe uma coisa muito bonita: rasgar o coração. Nós temos duas opções: ou rasgamos as vestes, que era um sinal de uma penitência pública, onde todo mundo olhava aquela pessoa com vestes rasgadas; ela está expiando os pecados que fez contra Deus ou reparando a sua vida espiritual; todos estão olhando, todos sabem, todos veem. Mas e o que está no coração? Ninguém pode ver, ninguém pode ler, a não ser o próprio Deus. Daí essa imagem de rasgar o coração, abrir o coração, escancarar o coração. Mas por quê? Porque exatamente ali que nós fazemos a experiência da misericórdia de Deus. Ali que Deus nos toca, que é possível o encontro com Ele. Porque ele é paciente e cheio de misericórdia, como bem descreveu o profeta Joel.
É
um tempo tão forte que até o sacerdote, ao se dirigir da sacristia até o altar,
que no livro [missal] é descrito como vestíbulo até o altar, ele também é
tocado por esta força, chamado a reconhecer sua fraqueza, a sua limitação ao
pregar a Palavra de Deus e também ao lidar com as coisas de Deus. Então esse tempo
chama todos: os sacerdotes, os fiéis, os bispos, o papa, todos são chamados a
viver a beleza e a riqueza desse tempo.
A reportagem fotográfica completa você pode visualizar acessando a fan page
da paróquia no link www.facebook.com/paroquiasantoantonio.campanhamg















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